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“A saúde oral não pode ficar à margem da política alimentar”

O simpósio foi organizado pela Ordem dos Médicos Dentistas

qui. 22 outubro 2026

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O simpósio “A saúde começa na boca – Açúcar, o inimigo silencioso” juntou políticos, representantes de várias áreas da saúde, investigadores e médicos dentistas, numa reflexão que procurou encontrar respostas à pergunta: o que pode Portugal fazer?

Médicos dentistas, nutricionistas, psicólogos e outros profissionais de saúde, decisores políticos e representantes de vários setores estiveram reunidos a 19 de outubro, no Centro Cultural de Belém, com um propósito comum: debater, refletir e encontrar estratégias para um problema que tem um enorme impacto na saúde – o consumo de açúcar.

Sob o mote “A saúde começa na boca – Açúcar, o inimigo silencioso”, o simpósio organizado pela Ordem dos Médicos Dentistas gerou uma importante discussão sobre um tema que envolve ciência, comportamento, ambiente, literacia e prevenção. No final foi lançado o desafio a quem governa e regula: incluir os nove compromissos propostos pela Ordem num plano de ação nacional.

Cerca de uma centena de participantes ouviram e partilharam visões, assentes na experiência de quem exerce e nas preocupações que têm face ao impacto do consumo de açúcar na saúde.

A diretora-geral da Saúde, Rita Sá Machado, assistiu a este debate e encerrou o evento dando nota de que o “Programa Nacional de Promoção da Alimentação Saudável e o Programa Nacional de Promoção da Saúde Oral devem continuar. Apesar de serem programas diferentes e de intervenção própria, eles têm áreas de convergência, e nós temos e precisamos de aprofundar essa convergência”, sustentou. “Precisamos de promover a saúde”, frisou, acrescentando que, “se a saúde começa na boca, então a boca também é um excelente ponto de partida para fazermos diferente, mais promoção, mais prevenção, mais trabalho multidisciplinar”.

“Menos açúcar na infância. Mais prevenção da cárie dentária. Mais equidade no acesso aos cuidados. Mais saúde ao longo da vida”. O Call to Action do bastonário da OMD elencou nove compromissos, necessários para cumprir três importantes desígnios, que são também prioridades para a Ordem: proteger a saúde oral e as crianças; corrigir o ambiente alimentar e comercial; e enfrentar as causas sociais, comerciais e políticas.

No encerramento do simpósio, Miguel Pavão lembrou que “a saúde oral não pode ficar à margem da política alimentar e a política alimentar não pode ignorar os dentes”. Dirigindo-se aos médicos dentistas e a todos os profissionais que participarem nesta discussão alargada, salientou que o país tem a “oportunidade de transformar uma responsabilidade histórica numa liderança em saúde pública” e que a partilha de ideias que se gerou durante a tarde de 19 de outubro mostra um consenso quanto à necessidade de se agir nesta matéria, desenvolver estratégias e novos caminhos.

A finalizar, o bastonário desafiou “os decisores políticos a transformar estes nove compromissos num plano nacional de ação, com responsáveis definidos, calendário, financiamento, indicadores públicos e avaliação periódica”.

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